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Como se tornar uma cidade inteligente?

No dia 29 de junho deste ano, Frutal recebeu o Prêmio Cidades Inteligentes, edição 2022, concedido pelo fórum Internacional de Cidades Inteligentes de Minas Gerais. A solenidade de premiação aconteceu na cidade Belo Horizonte e o município foi agraciado com o prêmio em razão da implantação dos sistemas de videomonitoramento em tempo real. Mas o que vem a ser cidade inteligente? O que abrange o conceito e o que nossa cidade precisa fazer para se qualificar como uma cidade inteligente, reconhecida não apenas no Estado de Minas Gerais, mas no Brasil e no mundo?

De acordo com a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), uma Smart City ou cidade inteligente é aquela cidade que utiliza a tecnologia para o bem-estar dos cidadãos (NBR 37122). Portanto, o foco de uma cidade inteligente não é a tecnologia, mas sim o cidadão, o morador da cidade. Enrique Penãlosa, ex-prefeito de Bogotá, cidade que desenvolveu políticas de Smart City, disse certa vez que inteligente é a cidade que utiliza inteligentemente seus recursos.

Lugares menores, em países desenvolvidos, como Zurique, na Suíça, Helsinque, na Finlândia e a ilha de Singapura foram as líderes no último Smart City Index, da consultoria Institute for Management Development e da Universidade de Tecnologia e Design de Singapura. No ranking Cidades em Movimento, da IESE Business School, na Espanha, capitais europeias como Londres, Paris, Copenhague e Amsterdã também estão no top 10, além de Nova York, nos EUA, e Tóquio, no Japão, elogiadas por sua capacidade de fazer uma cidade funcionar mesmo com grande número de habitantes.

No Brasil, São Paulo, em 2016, foi reconhecida como a cidade mais inteligente do Brasil, em virtude das políticas públicas que permitiram a efetiva apropriação social e a gestão democrática do espaço urbano e dos meios de transporte, com a implantação de faixas exclusivas para ônibus e de ciclovias, exemplo adotado por várias outras cidades brasileiras.

Mas, para uma cidade ser realmente inteligente, basta adotar políticas baseadas em tecnologias da informação e comunicação (TICs), em governo digital, em conectividade, em sociedade do conhecimento, em empreendedorismo e inovação? Sem sombra de dúvida, essas políticas são importantíssimas, mas precisam ser complementadas por outras, de maior relevância, relacionadas ao capital social e ao capital humano.

Uma cidade só terá utilizado inteligentemente os seus recursos se tiver melhorado os seus indicadores relacionados à economia e finança; à governança; à educação; à habitação; ao esporte e cultura; à recreação; à saúde; às condições sociais; ao saneamento básico (esgoto, água e resíduos); à segurança; à agricultura familiar; ao meio ambiente; ao planejamento urbano e mobilidade, dentre outros. Somente assim, será gerado um ambiente real de criatividade que permita iniciativas e inovações da própria cidade, com o foco no morador, no bem-estar do cidadão. É isso o que, hoje, tenho entendido como desenvolvimento sustentável.

E, para concluir, esse ambiente criativo e sustentável, depende de uma apropriação social e de uma gestão democrática em que seja levada em consideração a soma dos conhecimentos, das habilidades e atitudes das pessoas, que compõem as organizações da sociedade civil, as empresas e as organizações públicas. E a tecnologia? É apenas uma mediadora, um instrumento que permite a construção de uma rede de cidadãos engajados no bem-estar da comunidade e de cada um.

José Luiz de Paula Neto
José Luiz de Paula Netohttp://www.portaldefrutal.com.br
Formado em Direito pela UFV (Universidade Federal de Viçosa) Especialista em Direito Constitucional e Gestão Pública MBA em Informação, Tecnologia e Inovação para Negócios, pela UFScar (Universidade Federal de São Carlos) Atuou como advogado e como gestor público em Uberaba, em projetos de Parcerias Público-Privadas, captação de recursos e desenvolvimento territorial. Em Frutal foi Procurador-Geral do Município e, hoje, é Secretário de Desenvolvimento Econômico, Parcerias e Inovação.

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